Memórias em fotografias
Memórias em fotografias
Há vidas que podem ser contadas em palavras.
E há momentos que preferem permanecer em imagens.
Estas fotografias atravessam diferentes fases da minha história: a menina, a mulher, os dias simples, os momentos de alegria, os silêncios, os encontros e pequenos instantes que, de alguma maneira, ficaram guardados em mim.
Cada imagem guarda mais do que um momento ou uma ocasião.
Guarda um tempo, uma experiência, um sentimento, uma versão de mim que existiu naquele momento e que continua fazendo parte da mulher que sou hoje.
Reunir essas fotografias é também revisitar minha própria vida.
É olhar para trás sem deixar de caminhar para frente.
Porque algumas memórias não envelhecem.
Elas apenas aprendem a morar dentro de nós.
Estas fotografias não estão aqui para celebrar uma aparência, nem para construir uma imagem de glamour, mas para registrar e organizar minha própria narrativa.
Porque, às vezes, precisamos de uma imagem para nos lembrar daquilo que a memória, por alguma razão, não conseguiu guardar. Não estou dizendo: “vejam tudo o que eu fiz”.
Não estou aqui para parecer grandiosa ou bela, mas porque uma escritora também é feita das mulheres que existiram antes dela.
Elas estão aqui por causa da falta de fotografias da minha infância. Uma ausência de quem fui. E, talvez por isso, cresci com uma sensação difícil de explicar: a de não ter existido naquele tempo.
Mais tarde, fotografar-me tornou-se uma maneira de me reconhecer.
Cada fotografia era um pequeno testemunho silencioso: eu estive aqui. Eu vivi este momento. Este corpo atravessou este tempo. Esta mulher existiu.
Por isso, estas imagens não são apenas fotografias.
São fragmentos de presença.
Algumas registram a adolescência; outras, os ensaios fotográficos, o teatro, os lançamentos, as entrevistas e diferentes momentos da minha vida. Aqueles momentos de descontração em que eu podia simplesmente ser eu.
Juntas, elas não pretendem contar uma história de perfeição, mas uma história de existência.
Talvez seja por isso que eu tenha guardado tantas delas.
Agora, na maturidade, estou dizendo: esta é a trajetória que me trouxe até aqui, este é o lugar onde estou, e ainda existe algo em mim que está por nascer.
Não estou apenas organizando fotografias; estou dando lugar e honrando à mulher que fui, à mulher que sou e à mulher que ainda está nascendo.
Eu existo.
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